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Era uma vez uma casa, um escritório e uma escola: pais e o home office

  • 15 de jun. de 2020
  • 3 min de leitura

O que os jornais chamam de isolamento social, os pais estão sentindo como aglomeração familiar intensa e caótica. Aquelas pessoas valiosas que nos ajudavam com os cuidados com a casa e crianças estão impossibilitadas de vir e as professoras estão distantes. A habilidade multitarefa, já praticada pelas mães, nunca foi tão poderosa, e a necessidade de uma divisão justa de tarefas domésticas e responsabilidades com os filhos se tornou urgente. 



Para se somar às tarefas do lar e ao auxílio com as crianças, vem a necessidade de se trabalhar no mesmo ambiente em que tudo isso acontece, em escritórios improvisados no quarto, na sala ou na varanda. E surgiu, de forma intensa, uma dificuldade de concentração e a sensação de se fazer tudo incompleto e mal feito - tanto o trabalho quanto o papel de mãe e pai. Conciliar homeschooling e cuidados paternais com reuniões e planilhas, faxinas e preparo de refeições não estava nos planos de ninguém para 2020 e a volta da antiga rotina é um desejo unânime. Para se somar a todas estas sobrecargas de tarefas e emoções, a Internet está falhando... ou parando de funcionar por horas! Frustração é o sentimento da vez.


Apesar do estresse gigante, há muitos pais que buscam enxergar o lado positivo de tudo isso. Nunca tivemos a oportunidade de estarmos juntos a nossos filhos para acompanhar seu crescimento, ver o desenvolvimento escolar em detalhes e nunca pudemos dar abraços e beijinhos a qualquer hora do dia em plena terça-feira!


Para que encontremos uma forma de diminuir as angústias e termos tempo e energia para nossos filhos, temos alguns recursos disponíveis em todos os lares que só vão demandar um pouco de liderança e determinação.


Um primeiro grande passo é criar rotina com horários organizados para todos da casa, incluindo horários de refeições, aulas, reuniões e tarefas do lar. Hora da brincadeira deve entrar, de preferência incluindo todos da casa, só que no final do dia, como um merecido prêmio.


Para aqueles que têm tarefas que não podem ser interrompidas, pode-se combinar com os familiares alguns sinais como “Se o pote de canetas estiver do lado esquerdo da mesa, significa que estou muito ocupada e não poderei levantar e nem responder nada. Coloque a borracha do lado do pote para eu saber que devo te procurar assim que puder.” Estes sinais são recursos lúdicos e respeitosos e se tornam muito eficientes se bem estabelecidos.


Se não estava nos planos antes, é chegada a hora de se estimular a autonomia das crianças, mesmo as bem pequenas. Arrumar a cama e organizar a bagunça que fizeram é o mínimo que todos devem praticar diariamente. Crianças menores podem varrer a casa, passar pano nos móveis, preparar seus lanchinhos, dar ração para os animais e colocar roupa na máquina - para citar apenas alguns exemplos seguros. Crianças maiores e adolescentes já estão aptos para, além de todos os ítens anteriores, cozinhar alguns alimentos, fazer uma faxininha básica no próprio quarto e banheiro, lavar a louça e superar nossas expectativas com suas habilidades! Nada sairá perfeito a princípio, mas somente com a prática e validação da família é que chegarão a bons resultados. Vamos delegar tarefas e responsabilidades aos nossos filhos. O Universo nos deu uma oportunidade única de promover autonomia e de mostrar como são parte importante da casa e podem contribuir de forma positiva. Eles têm o tempo disponível e o ambiente seguro que precisam para aprender. Confiemos neles!


Em algum momento de um futuro, esperançosamente breve, poderemos sair de casa para trabalhar, as escolas reabrirão, nossas assistentes voltarão a nos ajudar e tudo voltará ao seu lugar. Um lugar novo, com novas proporções, novos pesos e valores. E que tudo mude para melhor. Amém!


Ana Schmid

Neuroeducadora, Psicopedagoga, Terapeuta, PNL, Professora de Inglês, Espanhol e Artes e mãe da Luna e do João


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